FCDL Minas vê Copa do Mundo de Futebol Feminino como oportunidade para impulsionar turismo, comércio e serviços
A próxima Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será realizada no Brasil, é uma grande oportunidade para divulgar Belo Horizonte e a cultura mineira para o mundo. O evento, previsto para os meses de junho e julho de 2027, também deverá beneficiar setores como turismo, comércio e serviços na Capital e em outras cidades de Minas Gerais.
O economista da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG) Vinicius Silva avalia que o evento tem potencial para reposicionar tanto a Capital quanto o Estado no cenário internacional. Ele pontua que essa é uma oportunidade para que os visitantes conheçam os pontos turísticos da cidade e o caráter hospitaleiro do povo mineiro.
Além disso, Silva destaca que as projeções apontam para um investimento total de cerca de US$ 800 milhões da Federação Internacional de Futebol (Fifa) no torneio. O economista ressalta que setores como hotelaria, bares e restaurantes, turismo e comércio, de maneira geral, deverão ser beneficiados pelo evento.
“As pessoas que vêm de outros países querem levar para casa um pedaço da nossa cultura com elas, como uma lembrança dessa experiência”, diz.
O consultor hoteleiro da Abih-MG, Marteen van Sluys, avalia que o período da Copa do Mundo será positivo para o setor na capital mineira. Ele destaca que os hotéis vêm se preparando para o evento desde o anúncio da inclusão de Belo Horizonte entre as sedes do torneio.
O especialista pontua que o setor hoteleiro da cidade ainda deverá trabalhar de maneira mais competitiva na precificação dos equipamentos e na otimização das tarifas, uma vez que esse tipo de evento tende a ser precificado em dólar. “Nós temos que aproveitar e saber trabalhar isso, com cada equipamento e cada atividade trabalhando o seu nicho”, diz.
Divulgação da cultura mineira
Quanto às oportunidades, o economista da FCDL-MG avalia que a Copa será uma importante vitrine para divulgar produtos de Minas, como o queijo e a cachaça. Segundo Silva, também será necessário promover os atrativos turísticos para levar os visitantes além do universo do futebol.
Ele afirma que os efeitos não se limitam à Capital e a seus pontos turísticos, como a Pampulha. A Copa também poderá beneficiar lugares como Inhotim, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e cidades históricas com forte vocação turística, como Ouro Preto, na Região Central.
Além desses lugares, o especialista menciona outros pontos que também poderão ser beneficiados, como o Mercado Central, a Praça da Liberdade e a região da Savassi. “São pontos que transformam a potencialidade do evento em algo muito grande para o desenvolvimento de Belo Horizonte e Minas Gerais”, completa.
No entanto, Silva avalia que esse tipo de evento necessita de mais incentivos por se tratar de um torneio que está, de certa forma, relacionado a questões de inclusão de gênero.
Melhorias a serem implementadas
Entre os pontos a serem melhorados, o economista destaca a mobilidade, incluindo o transporte coletivo e uma maior integração entre pontos como o aeroporto e a rodoviária. Ele também cita a preparação dos hotéis para receber o fluxo de visitantes, adequações tecnológicas e logísticas no estádio, melhorias nos espaços públicos para ampliar a segurança e a formação de uma equipe de acolhimento de estrangeiros.
Silva avalia que o sucesso dessas iniciativas dependerá de uma atuação coordenada entre os órgãos públicos municipais, estaduais e federais. “Isso vai gerar muitos empregos, porque teremos que formar novos profissionais de hotelaria e gastronomia com atendimento bilíngue”, acrescenta.
Já van Sluys avalia que um dos principais pontos de atenção são as obras inacabadas em importantes vias da Capital, como a Avenida Cristiano Machado, utilizada por quem chega à cidade vindo do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (BH Airport) pela Linha Verde. Outro trecho que gera preocupação, segundo ele, é o Anel Rodoviário, que segue sem uma solução definitiva para os problemas apontados pelo setor.
“Nós precisamos resolver essa questão viária e melhorar essa sinalização como um todo”, avalia.
Outro ponto citado é a situação atual da região central da capital mineira, que possui áreas degradadas. O consultor menciona projetos em discussão para melhorar a região e reforça a necessidade de revitalizar a cidade, reduzir os gargalos de trânsito e melhorar a infraestrutura.
Em relação aos hotéis, o especialista menciona um levantamento realizado na cidade que identificou 14 estabelecimentos de ponta que ainda não possuem cardápios bilíngues. Segundo ele, esse é um ponto importante que precisaria ser resolvido mesmo se não houvesse uma Copa do Mundo.
“Para quem está com pretensões de se mostrar para o mundo, isso é o mínimo que tem que ser feito”, completa.
Com informações do Diário do Comércio
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